iPhone no Japão: um problema de matemática
Julho 12, 2008

Matsue, 12 de julho, 8:12am. Ninguém na fila na loja da Softbank de Nishi-Tsuda. Nem na filia da loja de departamentos. A única fila na cidade é de umas crianças saindo de excursão da escola. Dá tempo de cornetar mais um pouco (e depois de muita conta, o post saiu).
Por 23 mil ienes, uma bagatela de uns 400 e poucos reais, um iPhone é seu. Mas não é simples assim. No Japão se paga mesmo é pelo serviço, e comprar um celular vira um problema de matemática.
Os japoneses compram celular como a gente compra uma casa, um carro ou uma cozinha com nove portas na Marabraz: você divide em 8349857934857 vezes e paga uma quantia mínima por mês. No caso do iPhone, o de 8GB vai pro seu bolso em 24 vezes iguais de ¥2.880 (uns 40 reais). O de 16GB, por 24 vezes de ¥3.360 (uns 60 reais).
Mas opa opa! tem desconto, de ¥1.920, daí as parcelas viram respectivamente ¥960 e ¥1.440, uma mixaria. Total: ¥23.040 pro de 8GB e ¥34.560 pro de 16GB (entre 400 e 600 reais).
Calma lá, que japonês é legal mas não é bobo não. Sabe SMS, aquele serviço que você usa pra dizer que tá atrasado ou pra achar alguém na balada ou pra contar uma fofoca pra gossip girl mais próxima? É, o torpedo, a mensagenzinha. Você não só paga cada mensagem como paga uma assinatura para ter direito de mandar e receber mensagens.
E paga assinatura para falar e receber ligações. E um serviço opcional (e obviamente pago) para ter uma caixa postal. E outra para ter atendimento simultâneo ou conferência. (E aí, já parou de reclamar do seu celular pré-pago brasileiro?)
Enfim, a brincadeira pode ficar cara. Na Softbank, por exemplo, você tem um pacote mínimo obrigatório para poder esfregar na cara do amiguinho que você tem um iPhone.
(Se achar os próximos três parágrafos muito complicados, pule direto para o infográfico que faz a conta de uma forma mais didática.)
A soma da assinatura com os pacotes de serviços dá ¥7.280 (uns 150 reais). Com os opcionais (caixa postal, atendimento simultâneo e conferência), adiciona-se ¥498. Chegamos a ¥7.778.
Se você ainda se lembra do começo deste post, tem que pagar o aparelho. Prepare o soroban: o de 8GB é ¥960, enquanto o de 16GB é ¥1.440. Resumo da ópera: o iPhone vai tirar do bolso do japonês um valor entre ¥8.240 e ¥9.218 (fica na casa dos 160 a 180 reais).
Lembrando que tudo isso em um contrato de dois anos. Ou seja, a bagatela total fica entre ¥197.760 e ¥221.232 (isso passa dos 4 mil reais). Fora as ligações (pelo menos nesse plano os e-mails são ilimitados, assim como a banda de internet).
Mas pense comigo: daqui a dois anos – traduzindo, 2009 – o Japão já vai ter quase 100% de televisão digital, as SLR vão custar mais barato que os melões e notebook vai virar brinde de cigarro. Fora que o senhor Jobs já vai estar lançando o iPhone 4.0, que vai trazer imagens holográficas editáveis no PhotoShop CS6 via web 3.0 (informações inventadas, não é spoiler). A japonesada vai querer trocar, óbvio.
E com quatro paus, no Brasil, você compra quatro Sony Ericsson top de linha (o W910 tá uns milão), compra um chip e paga 35 reais por mês e UTILIZA os 35 reais (ah sim, os ¥980 que você paga de assinatura não são créditos).
Dá pra pensar em comprar um iPhone pelo eBay.
