Matsue, sábado, 12 de julho. 0h03. Ninguém fazendo fila na loja da Softbank no bairro de Nishi-Tsuda. Enquanto isso, em Omotesando, na capital nipônica, muitos japoneses já ficaram felizes ao comprar o seu iPhone, sendo que o primeiro saiu da loja vinte minutos depois do início da empreitada venda do iPhone, iniciada ontem, às sete da manhã.

Fora a loja cool-chique lá de Harajuku, aquele bairro em que as pessoas se vestem engraçado, a venda do telefoninho do senhor Steve Jobs só começa hoje, sábado, quando as lojas abrirem, lá pelas dez da manhã, 24 horas depois de Tokyo.

Mas os noticiários estão meio encafifados com o bendito iPhone, foi manchete nacional em diversos canais. Afinal, se ele é tão de ponta, por que não faz metade das coisas que os celulares comuns da Sharp, Panasonic e Fujitsu, donas de nada menos que 90% do mercado de 100 milhões de assinantes (lembrando que o país todo tem 120 milhões), fazem assim, de série, sem reclamar?

Afinal, não dá para ver tevê no iPhone. Nem pagar a passagem de trem. Nem ler o código de barra da promoção do café-com-leite. Nem teclado tem. Nem tem flip, poxa vida.

"o iPhone que todo mundo tem"

Já tá no catálogo: "o iPhone que todo mundo tem"

Mas é Apple, e japonês adora uma marca. Mas vamos ver se o preço vai dar conta do luxo. Porque com o preço do iPhone você compra o celular mais caro da loja. Aquele que manda e-mail com desenhinhos, lê mangá, compra chá e vê o dorama da moda.

A impressão que dá é que o iPhone é tipo o estrangeiro que chega na escola japa e quer se enturmar entre os populares. Do tipo “olha, eu era o primeiro da classe e do time de basquete lá nos EUA, viu, eu sou legal, quer ser meu amigo?” Enquanto os pops do time de beisebol olham com aquela cara meio desconfiada, porque a falta de pretensão e a submissão da Apple, que está vendendo o aparelho não só nas lojas da empresa, mas também pelas lojas de eletrônicos e revendas das empresas de telefonia celular japonesa, é de deixar qualquer oriental com a pulga atrás da orelha.

Amanhã eu conto se teve ou não fila na lisonjeira lojinha de Matsue. Vamos ver se a coisa pega no interior do Japão. Afinal, em Tokyo é tudo muito mais fashion. Aproveito e faço a conta pra mostrar quanto custa a brincadeira. Porque aqui é muito complicado comprar celular. Agradeça se você pode ir nas Casas Bahia, comprar o celular que você quiser e depois comprar um chip e só receber ligação. O Brasil é muito mais avançado do que se imagina.

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