iPhone no Japão: injustiça
Julho 12, 2008

Sobre o post anterior, eu confesso – fui injusto. Você paga quase seis mil ienes para ter internet no iPhone, mas, poxa, é um serviço ilimitado. Considerando que a banda larga no Brasil está uns 150 reais para 3Mbps em pontos fixos, 150 reais para ter internet no país todo é um bom negócio.
Mesmo assim, a brincadeira é cara. O que quero dizer é que ela poderia ser mais cara ainda.
Aproveitando o espaço, vale dizer que o serviço de troca de baterias de iPhone no Japão estará disponível a partir do dia 11 de setembro (!!!) de 2009.
iPhone no Japão: um problema de matemática
Julho 12, 2008

Matsue, 12 de julho, 8:12am. Ninguém na fila na loja da Softbank de Nishi-Tsuda. Nem na filia da loja de departamentos. A única fila na cidade é de umas crianças saindo de excursão da escola. Dá tempo de cornetar mais um pouco (e depois de muita conta, o post saiu).
Por 23 mil ienes, uma bagatela de uns 400 e poucos reais, um iPhone é seu. Mas não é simples assim. No Japão se paga mesmo é pelo serviço, e comprar um celular vira um problema de matemática.
Os japoneses compram celular como a gente compra uma casa, um carro ou uma cozinha com nove portas na Marabraz: você divide em 8349857934857 vezes e paga uma quantia mínima por mês. No caso do iPhone, o de 8GB vai pro seu bolso em 24 vezes iguais de ¥2.880 (uns 40 reais). O de 16GB, por 24 vezes de ¥3.360 (uns 60 reais).
Mas opa opa! tem desconto, de ¥1.920, daí as parcelas viram respectivamente ¥960 e ¥1.440, uma mixaria. Total: ¥23.040 pro de 8GB e ¥34.560 pro de 16GB (entre 400 e 600 reais).
Calma lá, que japonês é legal mas não é bobo não. Sabe SMS, aquele serviço que você usa pra dizer que tá atrasado ou pra achar alguém na balada ou pra contar uma fofoca pra gossip girl mais próxima? É, o torpedo, a mensagenzinha. Você não só paga cada mensagem como paga uma assinatura para ter direito de mandar e receber mensagens.
E paga assinatura para falar e receber ligações. E um serviço opcional (e obviamente pago) para ter uma caixa postal. E outra para ter atendimento simultâneo ou conferência. (E aí, já parou de reclamar do seu celular pré-pago brasileiro?)
Enfim, a brincadeira pode ficar cara. Na Softbank, por exemplo, você tem um pacote mínimo obrigatório para poder esfregar na cara do amiguinho que você tem um iPhone.
(Se achar os próximos três parágrafos muito complicados, pule direto para o infográfico que faz a conta de uma forma mais didática.)
A soma da assinatura com os pacotes de serviços dá ¥7.280 (uns 150 reais). Com os opcionais (caixa postal, atendimento simultâneo e conferência), adiciona-se ¥498. Chegamos a ¥7.778.
Se você ainda se lembra do começo deste post, tem que pagar o aparelho. Prepare o soroban: o de 8GB é ¥960, enquanto o de 16GB é ¥1.440. Resumo da ópera: o iPhone vai tirar do bolso do japonês um valor entre ¥8.240 e ¥9.218 (fica na casa dos 160 a 180 reais).
Lembrando que tudo isso em um contrato de dois anos. Ou seja, a bagatela total fica entre ¥197.760 e ¥221.232 (isso passa dos 4 mil reais). Fora as ligações (pelo menos nesse plano os e-mails são ilimitados, assim como a banda de internet).
Mas pense comigo: daqui a dois anos – traduzindo, 2009 – o Japão já vai ter quase 100% de televisão digital, as SLR vão custar mais barato que os melões e notebook vai virar brinde de cigarro. Fora que o senhor Jobs já vai estar lançando o iPhone 4.0, que vai trazer imagens holográficas editáveis no PhotoShop CS6 via web 3.0 (informações inventadas, não é spoiler). A japonesada vai querer trocar, óbvio.
E com quatro paus, no Brasil, você compra quatro Sony Ericsson top de linha (o W910 tá uns milão), compra um chip e paga 35 reais por mês e UTILIZA os 35 reais (ah sim, os ¥980 que você paga de assinatura não são créditos).
Dá pra pensar em comprar um iPhone pelo eBay.
iPhone no Japão: Lost In Translation
Julho 11, 2008

Matsue, sábado, 12 de julho. 0h03. Ninguém fazendo fila na loja da Softbank no bairro de Nishi-Tsuda. Enquanto isso, em Omotesando, na capital nipônica, muitos japoneses já ficaram felizes ao comprar o seu iPhone, sendo que o primeiro saiu da loja vinte minutos depois do início da empreitada venda do iPhone, iniciada ontem, às sete da manhã.
Fora a loja cool-chique lá de Harajuku, aquele bairro em que as pessoas se vestem engraçado, a venda do telefoninho do senhor Steve Jobs só começa hoje, sábado, quando as lojas abrirem, lá pelas dez da manhã, 24 horas depois de Tokyo.
Mas os noticiários estão meio encafifados com o bendito iPhone, foi manchete nacional em diversos canais. Afinal, se ele é tão de ponta, por que não faz metade das coisas que os celulares comuns da Sharp, Panasonic e Fujitsu, donas de nada menos que 90% do mercado de 100 milhões de assinantes (lembrando que o país todo tem 120 milhões), fazem assim, de série, sem reclamar?
Afinal, não dá para ver tevê no iPhone. Nem pagar a passagem de trem. Nem ler o código de barra da promoção do café-com-leite. Nem teclado tem. Nem tem flip, poxa vida.
Mas é Apple, e japonês adora uma marca. Mas vamos ver se o preço vai dar conta do luxo. Porque com o preço do iPhone você compra o celular mais caro da loja. Aquele que manda e-mail com desenhinhos, lê mangá, compra chá e vê o dorama da moda.
A impressão que dá é que o iPhone é tipo o estrangeiro que chega na escola japa e quer se enturmar entre os populares. Do tipo “olha, eu era o primeiro da classe e do time de basquete lá nos EUA, viu, eu sou legal, quer ser meu amigo?” Enquanto os pops do time de beisebol olham com aquela cara meio desconfiada, porque a falta de pretensão e a submissão da Apple, que está vendendo o aparelho não só nas lojas da empresa, mas também pelas lojas de eletrônicos e revendas das empresas de telefonia celular japonesa, é de deixar qualquer oriental com a pulga atrás da orelha.
Amanhã eu conto se teve ou não fila na lisonjeira lojinha de Matsue. Vamos ver se a coisa pega no interior do Japão. Afinal, em Tokyo é tudo muito mais fashion. Aproveito e faço a conta pra mostrar quanto custa a brincadeira. Porque aqui é muito complicado comprar celular. Agradeça se você pode ir nas Casas Bahia, comprar o celular que você quiser e depois comprar um chip e só receber ligação. O Brasil é muito mais avançado do que se imagina.
iTunes no Brasil?
Junho 13, 2008

Opa, opa, opa! Não bastasse ouvir que a Apple vai lançar no Brasil o iPhone 3G (a ponto de falar sobre o lançamento na newsletter que manda pro povo), boatos que vem aí o iTunes Music Store. Mas antes de você ficar todo alegrinho e já querer apostar, vão alguns dados pra você não perder na mesa de bar:
- O Brasil demorou demais para entrar na onda de venda de música pela internet. Quando todo mundo já tinha o Kazaa, o eMule ou mesmo o jurássico Napster e já sabia tirar o máximo desses programas toscos, começaram a pensar em vender MP3. Aí você tem a coisa de graça. E vem alguém querendo cobrar. Rola?
- Mesmo assim, o mercado de venda de música na internet movimentou 24,5 milhões de reais no ano passado. É grana pra caramba, mas isso representa apenas 8% da movimentação do setor fonográfico. A gente pode não vender CD, mas DVD…
- Desses 24,5 milhões, 18,54 foram em vendas por celular. Isso seria 75% das vendas. Três quartos. Hmm… iTunes, iPhone, 3G, wi-fi… Tem uma equação boa rolando aqui.
- A modernização da lei brasileira é mais lenta que internet discada em sábado à noite de 1999. Por isso, a questão de direitos autorais emperra a velocidade dos lançamentos. Pelo menos os títulos internacionais estão a salvo. E DRM então, nem pensar. iPod ainda é artigo de luxo por aqui – é só olhar no metrô pra ver como pipocam players da marca Soneca (sic).
- E por falar em acesso discado, banda larga ainda não é um senso comum no Brasil. Do fim de 2006 para o fim de 2007, o número de assinantes aumentou em 31,37%. Um nível bom, mas isso totaliza 7.477 assinantes, um décimo dos Estados Unidos, um quarto do Japão e pouco menos que a metade da Alemanha. Dá pra chamar de mercado?
- Dá. Pelo menos se considerar os celulares. O relatório da CIA mostra que o Brasil tinha quase 100 mil aparelhos em 2006, pouco menos que o Japão.
- Mas aí tem as empresas de cartão de crédito, que querem ganhar comissão alta.
- E você, pagaria 2 reais por UMA música?
Como lançar um produto da Apple
Junho 11, 2008
Em plena ressaca de WWDC, iPhone 3G e Snow Leopard, o Gizmodo soltou um vídeo contando os cinco passos essenciais que você deve seguir se você quer lançar um produto da Apple. Eu queria embedar (sic) o vídeo aqui, mas não rolou. Segue o link.

